A
cidade de Niterói, desde os primórdios de
sua fundação, teve sua história ligada
aos índios: a começar pelo significado do
seu nome "porto sinuoso" conseqüentemente,
"água que se esconde" no dizer dos primitivos
habitantes - até a demarcação do
espaço físico que ela ocupa e que foi obtida
através da doação das terras que
formaram o patrimônio do cacique Araribóia,
cuja posse solene ocorreu a 22 de novembro de 1573:
"Todo o terreno, desde das primeiras barreiras vermelhas,
correndo ao longo da baía acima, caminho do norte,
até completar uma légua de terras e duas
léguas para o sertão ".
Mas e apenas no ano de 1834, portanto após a independência,
quando se institui na Província do Rio de Janeiro,
um governo autônomo, já sem a tutela do Ministério
do Império, que a Vila Real da Praia Grande assume
o status de capital da Província com a cidade do
Rio de Janeiro, formando o Município Neutro, sede
do Governo Geral.
No ano seguinte, 1835, dois acontecimentos relevantes
do ponto de vista jurídico-administrativo irão
marcar a trajetória da localidade de Praia Grande:
primeiro efetiva-se sua eleição, pela, Lei
Provincial número 2, como capital da Província
do Rio de Janeiro com a denominação de Vila
da Praia Grande (o nome Real, já havia sido suprimido)
e, posteriormente, sua elevação a catégoria
de cidade com a denominação de NICTHEROY.
O nome escolhido procurou resgatar o topônimo
original tupi-NHETEROIA -"baía sinuosa "ou
"porto sinuoso - todo serpeante "- que segundo
Frederico Edelweiss, foi a primeira denominação
dessa baía, tão intimamente ligada a vida
da cidade.
Ao tentarmos analisar, atualmente, a feicao que tem
a cidade de Niterói devemos percebe-la, como as
cidades em geral, reflexo de um modo de produção
- o capitalismo - que com sua lógica modela a estrutura
urbana, conduzindo a concentração econômica,
social e espacial dos meios de produção
e da forca de trabalho necessária a seu funcionamento.
O espaço de uma cidade, transcendência
dos atributos naturais, onde os objetos sociais - a casa,
o lugar de trabalho, os pontos de encontro, os caminhos
que unem esses pontos - estão presentes em densidades
diversas tanto quanto maior e mais complexa forma organização
urbano-metropolitana, e reflexos de momentos passados
- próximos ou remotos - dentro do processo de trabalho.
O desenvolvimento de alguns núcleos de povoamento
- Icaraí, Maruí, São Domingos e Jurujuba
- por exemplo, e a decadência de outros, como a
aldeia de São Loureço, insere-se na dinâmica
de crescimento/desenvolvimento das localidades ao sabor
do interesse e da interferência mais ou menos direta
da Coroa.
Quando no século XVIII o progresso econômico
acentua-se a existência de fazendas, engenhos de
açúcar, lavouras de cereais, e com o comercio
e os transportes referendado esse desenvolvimento - vamos
encontrar as freguesias já então habitadas
por milhares de paroquianos livres e por escravos.
A vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil
trouxe consigo o apogeu do progresso para as freguesias
do Recôncavo Fluminense. A "Banda d'Alem "passou
a fazer parte dos interesses dos Príncipes: São
Domingos tornou-se o local preferidos para os "ócios
reais ".
A criação da Vila Real da Praia Grande,
em 10 de maio de 1819, resultou do carinho com que a população
recebeu o Rei D. João em seu aniversario natalício
- 13 de maio - no ano de 1816
Pelo relato que o viajante inglês Luccock fez da
enseada da Praia Grande no ano 1818, podemos observar
o desenvolvimento que a localidade desfrutava:
"A enseada da Praia Grande e um dos recessos menos
profundos com que por ali se topa; mas nem por isso, o
menos belo. A praia e larga e orlada de pequeninas casas;
o interior rico, embora arenoso; a região populosa;
e, talvez, nenhum dos pontos vizinhos da capital passou
por tantas vantajosas transformações ".